Felizmente, Deus tem seus propósitos...
Texto do Gustavo, tenor do grupo
Nós não ensaiamos, praticamos terapia em grupo. Isso não é apenas uma brincadeira, é uma afirmação.
Queria ver uma análise dos nossos ensaios, ou melhor, uma psicanálise. Deixaria um psicólogo atordoado. Se bem que eu acho que somos caso para um psiquiatra.
Sabe-se que de “médico e louco todo mundo tem um pouco”, mas no nosso caso, acho que erraram a mão no tempero.
Aliás, somos temperados, apimentados e totalmente “destemperados”. Mas não somos sem sal. Nossos ensaios são discussões acaloradas, e muita brincadeira e gozação, o que se reflete em nosso nervosismo e em nossos erros em nossas apresentações.
Assumimos esse nosso lado descontrolado, e partimos para frente desta maneira. Vamos “caminhando e cantando e seguindo a canção”, e nos ajeitando que nem “motorista de caminhão de melancias”, ou seja, no andar do caminhão, as melancias se ajeitam ali na caçamba. E desse jeito, meio “amalucado” vamos emitindo sons, encaixando-se nos arranjos e tentando acertar as letras.
Talvez por causa desse estilo muito instável, bastante emotivo e muito amador, tenhamos nos deparados com várias situações constrangedoras e hilárias em nossas apresentações.
Em uma delas, com a orquestra de câmara da ULBRA, há alguns anos atrás, fomos convidados a cantar uma das nossas mais belas músicas: Tu És Fiel, Senhor.
Chegamos cedo, pois o evento exigia isso. Era uma formalidade, e cantaríamos junto com a Orquestra de Câmara da Universidade – que honra. Ensaiamos um pouco. Passamos o som, microfones ajustados, ambientação acústica perfeita. Estávamos preparados (pelo menos eu achava isso!).
A orquestra entrou, se ajeitou. E tomaram os instrumentos nas mãos.
Nós já estávamos lá, postados atrás da orquestra num plano superior.
Iniciaram a bela canção, e depois de todo o prelúdio realizado de uma forma magnífica pela orquestra, o Spalla (ou concertino, que é o nome dado ao primeiro violino de uma orquestra) nos olhou, deu o tom e o tempo para um dos nossos solistas, que neste momento, parou.
O Violinista esperou aflito alguns segundos. Reiniciou seu acorde e novamente deu o tom.
O olhar desesperado do violinista principal da orquestra esperando nossa entrada, deixava a todos os presentes em pânico. A mão direita do violinista fazia os mesmos movimentos contínuos, para cima e para baixo, enquanto sua mão esquerda apertava as cordas sem traste, de uma maneira cada vez mais forte e intensa. Os segundos viraram horas. O silêncio criado pelos repetitivos acordes pairava no ar. O pânico tomou conta de todos.
E o nosso vocalista, chorou.
Chorou de emoção, por uma música tão bela? Não. Chorou de vergonha, por esquecer a letra. E que choro convincente.
E com esse subterfúgio magnífico, ainda foi aplaudido pela platéia que contemplava seu semblante, emocionado e visivelmente abalado.
Todos adoraram a apresentação e aplaudiram nosso desempenho “sofrível”. E o mais importante de tudo, diziam que éramos realmente emocionantes.
Pois é, nem Freud explica.
Queria ver uma análise dos nossos ensaios, ou melhor, uma psicanálise. Deixaria um psicólogo atordoado. Se bem que eu acho que somos caso para um psiquiatra.
Sabe-se que de “médico e louco todo mundo tem um pouco”, mas no nosso caso, acho que erraram a mão no tempero.
Aliás, somos temperados, apimentados e totalmente “destemperados”. Mas não somos sem sal. Nossos ensaios são discussões acaloradas, e muita brincadeira e gozação, o que se reflete em nosso nervosismo e em nossos erros em nossas apresentações.
Assumimos esse nosso lado descontrolado, e partimos para frente desta maneira. Vamos “caminhando e cantando e seguindo a canção”, e nos ajeitando que nem “motorista de caminhão de melancias”, ou seja, no andar do caminhão, as melancias se ajeitam ali na caçamba. E desse jeito, meio “amalucado” vamos emitindo sons, encaixando-se nos arranjos e tentando acertar as letras.
Talvez por causa desse estilo muito instável, bastante emotivo e muito amador, tenhamos nos deparados com várias situações constrangedoras e hilárias em nossas apresentações.
Em uma delas, com a orquestra de câmara da ULBRA, há alguns anos atrás, fomos convidados a cantar uma das nossas mais belas músicas: Tu És Fiel, Senhor.
Chegamos cedo, pois o evento exigia isso. Era uma formalidade, e cantaríamos junto com a Orquestra de Câmara da Universidade – que honra. Ensaiamos um pouco. Passamos o som, microfones ajustados, ambientação acústica perfeita. Estávamos preparados (pelo menos eu achava isso!).
A orquestra entrou, se ajeitou. E tomaram os instrumentos nas mãos.
Nós já estávamos lá, postados atrás da orquestra num plano superior.
Iniciaram a bela canção, e depois de todo o prelúdio realizado de uma forma magnífica pela orquestra, o Spalla (ou concertino, que é o nome dado ao primeiro violino de uma orquestra) nos olhou, deu o tom e o tempo para um dos nossos solistas, que neste momento, parou.
O Violinista esperou aflito alguns segundos. Reiniciou seu acorde e novamente deu o tom.
O olhar desesperado do violinista principal da orquestra esperando nossa entrada, deixava a todos os presentes em pânico. A mão direita do violinista fazia os mesmos movimentos contínuos, para cima e para baixo, enquanto sua mão esquerda apertava as cordas sem traste, de uma maneira cada vez mais forte e intensa. Os segundos viraram horas. O silêncio criado pelos repetitivos acordes pairava no ar. O pânico tomou conta de todos.
E o nosso vocalista, chorou.
Chorou de emoção, por uma música tão bela? Não. Chorou de vergonha, por esquecer a letra. E que choro convincente.
E com esse subterfúgio magnífico, ainda foi aplaudido pela platéia que contemplava seu semblante, emocionado e visivelmente abalado.
Todos adoraram a apresentação e aplaudiram nosso desempenho “sofrível”. E o mais importante de tudo, diziam que éramos realmente emocionantes.
Pois é, nem Freud explica.
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