Porque Cantamos?
Texto do Gustavo Becker da SilveiraNós, do Carpe Diem já fizemos essa pergunta “n” vezes, e as respostas são as mais distintas possíveis. Mas todas elas levam a um único motivo: cantamos porque levamos uma mensagem de fé, um testemunho.
Cantar num quinteto vocal é relativamente desafiador.
Cada um é responsável por uma única e exclusiva melodia, que se encaixa na harmonia que compõe o arranjo. Qualquer deslize é fatal.
Existe um imenso esforço em acertar, uma dedicação muito grande para ensaiar. E o mais complicado, tentar cantar e passar a emoção do sentimento, ignorando as dificuldades das vocalizações, às vezes é uma tarefa árdua.
Portanto, além de cantarmos temos que ensaiar muito. E seguidamente nos encontramos. E o convívio, em excesso muitas vezes desgasta a relação. E é nesse sentido que afirmo que nosso convívio já passou por várias provações, complicações, opiniões distintas, propostas diferentes e inclusive, motivos e motivações diversas.
Então, porque cantamos? Vou, responder. Mas falarei apenas por mim.
Comecei cantando muito cedo em corais de colégio e no coro da congregação. Gostava de me exibir.
Aí, vi o Gringo cantar La Traviata na OSPA, e depois, várias outras árias, e tudo aquilo me chamou a atenção. Afinal, as pessoas paravam e olhavam para ele.
Logo na adolescência, indo para a fase adulta, vi o Chico cantando La Bamba numa festa da Igreja, e todo mundo parou para olhar, ouvir e apreciar. Também com aquela voz de Bruce Springsteen, não tinha como não chamar atenção.
Então vi o Quique, cantando e tocando violão (acho que é a única música que ele toca no violão...), uma tal de Guarania da Saudade, do Carlos José ou do Luiz Vieira, não tenho certeza o compositor.
Mas analisando melhor, até “Florentina de Jesus” do Tiririca e “Festa no Apê” do Latino, ficariam lindas na voz do Quique.
No final do século passado (coisa de velho!) apareceu um tal de Paulo Brum. E sua fama de músico ultrapassava fronteiras. Parecia a TIM – Você Sem Fronteiras (vou cobrar esse merchandising deles!).
Dessa forma, quando ventilaram a hipótese de montar um Vocal a capella com o Paulinho Brum, eu não pensei duas vezes. Um bom maestro, arranjador e gente fina, com aquelas vozes que eu sempre admirei. Pensei comigo: - Tô dentro!
Então comecei cantando no Carpe Diem para me exibir. Tanto que a proposta inicial do grupo era focada em música popular, existia até um projeto de cantar em dois bares tradicionais de Porto Alegre. Era o Projeto Beatles. Bom, isso não deu muito certo, mas é assunto para outro momento...
Eu cantava para me exibir mesmo. Afinal poucas pessoas possuem a capacidade de atingir os agudos que os arranjos me exigem. E eu me exibia. Inclusive cantando mais alto que os outros.
Passou um tempo e eu percebi que quando me exibia, derrapava ou fazia os outros derrapar nas notas. Pois o volume atrapalhava a execução acústica do grupo, e acabava desafinando o vocal. Ou seja, percebi que me exibindo, não agregava.
Mas eu gostava de cantar com o grupo, então continuei cantando, porque a amizade com o grupo era show.
Ah! E além da amizade, somos regidos pelo melhor músico da nossa igreja. Então, além de continuar me exibindo, ainda me exibia em grupo. Mas a verdade, é que eu gostava mesmo do grupo. Sou amigo do Quique desde que me conheço por gente. O Chico entrou na minha vida filmando meu noivado, e desde lá nunca mais saiu. Tornou-se parte da família. Um dos integrantes é meu irmão. Irmão caçula, que atende pelo alcunha de Gringo. E o Paulinho, é uma pessoa que eu sempre admirei pelos dons e pela maneira como conduzia sua vida de fé. Então eu cantava porque estava cercado de gente que eu amo.
Mas, alguns anos passaram, e essas pessoas que eu amo, discutiram, brigaram, zangaram-se uns com os outros. Eu inclusive briguei também. E a coisa foi feia. E vi que os motivos que me levavam a cantar estavam acabando. Afinal, o motivo de cantar porque gostava da companhia das pessoas, estava deteriorando-se junto com a nossa relação, talvez desgastada por tantos ensaios e compromissos. Então resolvi me agarrar a outro motivo para continuar cantando. E percebi que cantando (me exibindo ou não), Deus me usava como um instrumento Dele, e através da música podia ser mais útil do que de outras formas que já tinha tentado antes, seja na congregação, no colégio ou em outros locais. Me consolei e aprendi a orar como São Francisco, pedindo: “Senhor fazei de mim um instrumento de vossa Paz (...)”. E assim fui levando. Me senti um instrumento. E como tal, precisava ser estimulado, motivado, usado e por fim, conduzido.
Como escrevi no início, cantar num quinteto a capella é tão difícil, que é difícil (com o perdão da redundância) achar motivação, estímulo, e alguém que se encarregue de organizar, coordenar e conduzir o grupo. Só pode ser obra da fé. Deus nos conduzia para alguns caminhos que nunca imaginávamos cruzar. E não sei de onde arranjávamos força e coragem para atingir as pessoas. Nós estávamos testemunhando o Amor do Pai, em vilas, hospitais, praças, palcos, teatros, e tantos outros lugares. Eu não me exibia mais, eu queria exibir minha fé. Eu queria exibir Jesus. Nem cantava apenas para desfrutar da companhia agradável do Chico, Quique, Gringo e Paulinho. Eu agora cantava porque acreditava que o Amor de Deus podia tudo mudar, e isso eu tentava passar para as outras pessoas. Afinal esse Amor tinha mudado minha forma de enxergar o grupo. Mudado minha forma de testemunhar. Esse Amor tinha que ser propagado a qualquer custo. E agora, eu cantava porque eu achava que mais pessoas precisavam saber disso. Eu cantava porque acreditava que Deus precisava do meu trabalho.
Mas, felizmente (ou infelizmente para a vaidade), o tempo passa e a gente muda. E percebi que Deus não precisa de nós. Nós precisamos dele. E ele nos usa como instrumentos. Ele nos usa como meio. E, “descobri então que Deus, não vive longe lá no céu sem se importar comigo (...)”
Há uns anos atrás fomos cantar no Hospital de Clínicas em Porto Alegre, e no leito de morte, uma senhora, bem velhinha, após nos ouvir cantar, disse-nos a seguinte frase:
- Meus filhos. Continuem cantando. Vocês têm Jesus no coração. E quem canta, reza duas vezes.
Hoje eu canto, porque sei que preciso compartilhar e confirmar esta fé, este Amor que pode tudo mudar.
Hoje eu canto porque preciso da companhia de pessoas que partilham da mesma fé que eu.
Hoje eu canto, porque eu preciso do “nosso cantar”. E tudo isso eu posso afirmar, porque Deus me refez, em todos esses anos.
Hoje eu canto, porque quem canta reza duas vezes. E eu preciso rezar.
Cantar num quinteto vocal é relativamente desafiador.
Cada um é responsável por uma única e exclusiva melodia, que se encaixa na harmonia que compõe o arranjo. Qualquer deslize é fatal.
Existe um imenso esforço em acertar, uma dedicação muito grande para ensaiar. E o mais complicado, tentar cantar e passar a emoção do sentimento, ignorando as dificuldades das vocalizações, às vezes é uma tarefa árdua.
Portanto, além de cantarmos temos que ensaiar muito. E seguidamente nos encontramos. E o convívio, em excesso muitas vezes desgasta a relação. E é nesse sentido que afirmo que nosso convívio já passou por várias provações, complicações, opiniões distintas, propostas diferentes e inclusive, motivos e motivações diversas.
Então, porque cantamos? Vou, responder. Mas falarei apenas por mim.
Comecei cantando muito cedo em corais de colégio e no coro da congregação. Gostava de me exibir.
Aí, vi o Gringo cantar La Traviata na OSPA, e depois, várias outras árias, e tudo aquilo me chamou a atenção. Afinal, as pessoas paravam e olhavam para ele.
Logo na adolescência, indo para a fase adulta, vi o Chico cantando La Bamba numa festa da Igreja, e todo mundo parou para olhar, ouvir e apreciar. Também com aquela voz de Bruce Springsteen, não tinha como não chamar atenção.
Então vi o Quique, cantando e tocando violão (acho que é a única música que ele toca no violão...), uma tal de Guarania da Saudade, do Carlos José ou do Luiz Vieira, não tenho certeza o compositor.
Mas analisando melhor, até “Florentina de Jesus” do Tiririca e “Festa no Apê” do Latino, ficariam lindas na voz do Quique.
No final do século passado (coisa de velho!) apareceu um tal de Paulo Brum. E sua fama de músico ultrapassava fronteiras. Parecia a TIM – Você Sem Fronteiras (vou cobrar esse merchandising deles!).
Dessa forma, quando ventilaram a hipótese de montar um Vocal a capella com o Paulinho Brum, eu não pensei duas vezes. Um bom maestro, arranjador e gente fina, com aquelas vozes que eu sempre admirei. Pensei comigo: - Tô dentro!
Então comecei cantando no Carpe Diem para me exibir. Tanto que a proposta inicial do grupo era focada em música popular, existia até um projeto de cantar em dois bares tradicionais de Porto Alegre. Era o Projeto Beatles. Bom, isso não deu muito certo, mas é assunto para outro momento...
Eu cantava para me exibir mesmo. Afinal poucas pessoas possuem a capacidade de atingir os agudos que os arranjos me exigem. E eu me exibia. Inclusive cantando mais alto que os outros.
Passou um tempo e eu percebi que quando me exibia, derrapava ou fazia os outros derrapar nas notas. Pois o volume atrapalhava a execução acústica do grupo, e acabava desafinando o vocal. Ou seja, percebi que me exibindo, não agregava.
Mas eu gostava de cantar com o grupo, então continuei cantando, porque a amizade com o grupo era show.
Ah! E além da amizade, somos regidos pelo melhor músico da nossa igreja. Então, além de continuar me exibindo, ainda me exibia em grupo. Mas a verdade, é que eu gostava mesmo do grupo. Sou amigo do Quique desde que me conheço por gente. O Chico entrou na minha vida filmando meu noivado, e desde lá nunca mais saiu. Tornou-se parte da família. Um dos integrantes é meu irmão. Irmão caçula, que atende pelo alcunha de Gringo. E o Paulinho, é uma pessoa que eu sempre admirei pelos dons e pela maneira como conduzia sua vida de fé. Então eu cantava porque estava cercado de gente que eu amo.
Mas, alguns anos passaram, e essas pessoas que eu amo, discutiram, brigaram, zangaram-se uns com os outros. Eu inclusive briguei também. E a coisa foi feia. E vi que os motivos que me levavam a cantar estavam acabando. Afinal, o motivo de cantar porque gostava da companhia das pessoas, estava deteriorando-se junto com a nossa relação, talvez desgastada por tantos ensaios e compromissos. Então resolvi me agarrar a outro motivo para continuar cantando. E percebi que cantando (me exibindo ou não), Deus me usava como um instrumento Dele, e através da música podia ser mais útil do que de outras formas que já tinha tentado antes, seja na congregação, no colégio ou em outros locais. Me consolei e aprendi a orar como São Francisco, pedindo: “Senhor fazei de mim um instrumento de vossa Paz (...)”. E assim fui levando. Me senti um instrumento. E como tal, precisava ser estimulado, motivado, usado e por fim, conduzido.
Como escrevi no início, cantar num quinteto a capella é tão difícil, que é difícil (com o perdão da redundância) achar motivação, estímulo, e alguém que se encarregue de organizar, coordenar e conduzir o grupo. Só pode ser obra da fé. Deus nos conduzia para alguns caminhos que nunca imaginávamos cruzar. E não sei de onde arranjávamos força e coragem para atingir as pessoas. Nós estávamos testemunhando o Amor do Pai, em vilas, hospitais, praças, palcos, teatros, e tantos outros lugares. Eu não me exibia mais, eu queria exibir minha fé. Eu queria exibir Jesus. Nem cantava apenas para desfrutar da companhia agradável do Chico, Quique, Gringo e Paulinho. Eu agora cantava porque acreditava que o Amor de Deus podia tudo mudar, e isso eu tentava passar para as outras pessoas. Afinal esse Amor tinha mudado minha forma de enxergar o grupo. Mudado minha forma de testemunhar. Esse Amor tinha que ser propagado a qualquer custo. E agora, eu cantava porque eu achava que mais pessoas precisavam saber disso. Eu cantava porque acreditava que Deus precisava do meu trabalho.
Mas, felizmente (ou infelizmente para a vaidade), o tempo passa e a gente muda. E percebi que Deus não precisa de nós. Nós precisamos dele. E ele nos usa como instrumentos. Ele nos usa como meio. E, “descobri então que Deus, não vive longe lá no céu sem se importar comigo (...)”
Há uns anos atrás fomos cantar no Hospital de Clínicas em Porto Alegre, e no leito de morte, uma senhora, bem velhinha, após nos ouvir cantar, disse-nos a seguinte frase:
- Meus filhos. Continuem cantando. Vocês têm Jesus no coração. E quem canta, reza duas vezes.
Hoje eu canto, porque sei que preciso compartilhar e confirmar esta fé, este Amor que pode tudo mudar.
Hoje eu canto porque preciso da companhia de pessoas que partilham da mesma fé que eu.
Hoje eu canto, porque eu preciso do “nosso cantar”. E tudo isso eu posso afirmar, porque Deus me refez, em todos esses anos.
Hoje eu canto, porque quem canta reza duas vezes. E eu preciso rezar.

Comentários
Postar um comentário